Prefeitura inicia curso em programação com alunos municipais

Publicado em 8 outubro de 2018
 
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O curso é uma parceria entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissionalizante e Superior e a Secretaria de Educação

Por meio da parceria entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissionalizante e Superior e a Secretaria de Educação, um grupo de alunos de escolas municipais, na faixa dos 14 aos 16 anos, começou a ter aulas de programação em computador com o subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, professor José Loyola Bechara, idealizador do curso. Em entrevista, ele explica o que o levou a criar o curso, os objetivos e perspectivas.

Como surgiu a ideia de oferecer um curso de programação para alunos da rede municipal de ensino?
Há uma carência enorme no setor de programação. Creio que uma parte dessa carência é porque os estudantes não fazem ideia do que seja fazer um programa de computador. As crianças têm um pouco mais de noção do que é ser um médico, um engenheiro, um advogado, mas o que é desenvolver um programa de computador elas não sabem. Acho que só tendo um contato com o assunto podemos despertar o desejo de buscar o conhecimento e, assim, descobrir alguns talentos. Mas claro que a visão não é apenas formar programadores. Todos os profissionais hoje podem tirar proveito sabendo programar. Assisti um curso há pouco tempo formado em quase 50% por jornalistas. Eles queriam aprender a fazer programas que pudessem varrer dados na internet, consolidando essas informações para matérias jornalísticas.
Qual será o conteúdo do curso? O que os alunos aprenderão?
Comecei ensinando o que chamamos de Português Estruturado. É uma forma de escrevermos um programa com um formato mais livre, escrito em português mesmo e, assim, passar os conceitos iniciais de uma forma mais fácil. Depois passarei para o ambiente Scratch, desenvolvido pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), voltado ao ensino de programação para crianças. A diferença é que a programação é feita toda por encaixe de blocos, então, facilita a visualização da lógica. Passaremos depois para o App Inventor, que eu diria ser uma evolução do Scratch. A mesma forma de programação, por encaixe de blocos, porém, permitindo o desenvolvimento de aplicativos para Android. Os alunos aprenderão a desenvolver jogos, por exemplo, que poderão ser utilizados em rede e até salvar informações em bancos de dados. Para finalizar, utilizaremos uma linguagem mais “profissional”, chamada Python, utilizada amplamente por grandes empresas como o Google.
O curso terá quantas aulas?
Teremos, inicialmente, nove aulas, porém, iremos acompanhando a evolução dos alunos para ajustar isso. Apesar de já ter aulas de programação para essa faixa etária pelo mundo, e até mais novos, eu diria que esse curso será bem inovador. Vou ensinar todas as estruturas de lógica vistas em um curso universitário, além de algumas ferramentas para a interação com banco de dados e rede nos aplicativos que serão desenvolvidos. Além disso, a última etapa que veremos, Python, não é comum ser ensinado. Apesar dessas inovações, tenho total confiança que terão absoluta capacidade de absorver todo o conhecimento.
Qual é o seu objetivo com a criação do curso?
O meu maior objetivo não é passar o conteúdo. Meu maior objetivo é despertar o interesse, a paixão pela programação. Quero sentir que os alunos estão se divertindo ao fazer um programa. Uma vez conseguindo isso, sei que elas passarão a querer levar isso adiante, desenvolvendo pequenos joguinhos, pequenos programas por diversão. E isso tudo faz parte de um programa maior, que é alavancar o setor de tecnologia na região. Só conseguiremos esse objetivo se tivermos profissionais qualificados. Esperamos que a gente consiga formar, no um médio prazo, profissionais de altíssimo nível.
Você destacaria algum ponto específico do curso?
Eu diria que o grande ponto positivo desse projeto é que estou formatando o conteúdo, as aulas, pois pretendemos formar também alunos de graduação da área de Informática para que, em troca de horas de atividade acadêmica complementar, lecionem esse conteúdo em outras turmas, multiplicando assim essa massa de crianças programando.