Palestra de Ilona Szabó reúne alunos, educadores e funcionários públicos no Teatro Municipal Laércio Ventura

Publicado em 4 outubro de 2017
 
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O segundo dia de palestra da cientista política Ilona Szabó, sobre o seu livro com Izabel Clemente – “Drogas: as histórias que não te contaram” –, no Teatro Municipal Laércio Ventura, quarta-feira, 4 de outubro, reuniu alunos de escolas particulares de ensino médio da cidade, diretores de escolas municipais, funcionários da secretaria municipal de Educação da Prefeitura de Nova Friburgo e muitos profissionais do setor de segurança. Além dessas presenças, o secretário municipal de Políticas sobre Drogas, Daniel Lage esteve presente, com alguns assessores.

Daniel Lage, secretário municipal de Políticas sobre Drogas da Prefeitura de Nova Friburgo, antes do início da palestra, revelou que a prefeitura, através de sua secretaria, já desenvolve trabalho junto aos alunos da rede municipal, estadual e particular sobre as questões acerca das drogas. E que a sua presença na palestra de Ilona Szabó teve o objetivo de ser um laboratório para ouvir sobre as experiências e projetos da palestrante, mas, sobretudo, ouvir o que os alunos têm a perguntar. Enfim, utilizar todas as discussões levantadas para aprimorar o trabalho e a atuação de sua secretaria.

Da educação municipal estiveram presentes diretoras de algumas escolas municipais, como a Ana Barbosa Moreira e a José Alves de Macedo, funcionários das coordenadorias de cerimonial e de educação integral da secretaria, do EJA, e do conselho escolar.

Na abertura da palestra, alguns dados alarmantes foram divulgados aos jovens como uma preparação e reflexão sobre os temas que viriam logo adiante. Dois deles chamaram atenção: a desigualdade social que se mantém e cresce no país, pois de acordo com estatística divulgada recentemente, a riqueza de seis pessoas, apenas, igualam-se a metade da riqueza da população; de outro lado, um outro dado, também alarmante, coloca o Brasil como o quarto país com maior número de contingente carcerário.

Mediante a isso, Ilona Szabó iniciou sua palestra por duas perguntas provocativas aos jovens: “qual o papel de cada um de vocês para melhorar a nossa vida? Qual o impacto que vocês querem transmitir para as futuras gerações?”.

Ilona quis dizer aos jovens, antes de contar um pouco de seu livro e abrir para perguntas, que “cada um de nós está no mundo para fazer ou deixar alguma contribuição”, seguindo a linha de seus discursos durante a sua estadia de três dias de intensa agenda em Nova Friburgo, de que é preciso se trabalhar pela coletividade.

Falando para um público jovem em sua maioria, Ilona disse que no início de seus estudos e de sua carreira não pensou que um dia trabalharia com questões ligadas às drogas, às armas ou com o crime organizado. Por isso, ela orientou a plateia sobre as escolhas difíceis que se tem de fazer, mas que basta seguir alguns princípios básicos que ela acredita: “será que o que estou fazendo gostaria que fizessem comigo? Qual o propósito da minha escolha profissional?” Até porque, conforme salientou, o mercado de trabalho sofrerá um impacto enorme nos próximos 20 anos, com redução da metade dos postos de trabalho devido a quarta revolução industrial.

Outro conselho que Ilona Szabó deixou para os jovens alunos e participantes, muitos do poder público, foi o de que a relação com as questões geopolíticas e econômicas devem ser tratadas a partir da realidade local, inicialmente, para que elas reflitam positivamente de forma global.

Uma das perguntas, feita próximo ao final do evento, 11h30min da manhã, foi feita por um membro do conselho comunitário de segurança, Rodrigo Guimarães. Segundo questionou, “como agir quando sentamos em uma mesa de negociações ou de trabalho com pessoas que pensam muito diferente da gente, seja de forma cultural, social ou politicamente?”

Ilona Szabó revelou que, primeiramente, é preciso vencer os preconceitos. Em segundo, deve-se pensar, planejar e se basear em acordos mínimos, ou seja, criar agendas mínimas que tenham concordância entre todos, para que assim se possa buscar alguma transformação. A partir daí, deve-se estipular que as políticas públicas sejam elaboradas como políticas de estado, para que ultrapassem os governos e permaneçam na sociedade.

Outro participante, Iago, do IENF (escola de formação de professores), pediu um conselho para os jovens que estão iniciando na carreira de educação: “como ensinar crianças e jovens diante desse contexto das drogas?”. Segundo Ilona, o educador deve ser o espelho para o aluno, não apenas o professor de matérias didáticas, mas aquele que ensina para a vida e forma cidadãos. Porém, ela disse que é preciso que o Estado invista mais na Educação também.