Governo promove evento aberto à sociedade pelo Dia de Luta Antimanicomial

Publicado em 17 maio de 2017
 
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Ângelo Antônio C.M. dos Santos sofre de esquizofrenia. Ele foi um dos pacientes que ajudou a abrir o Centro de Atenção Psicossocial de Nova Friburgo (Caps II), em 2004. Hoje, quarta-feira, 17 de maio, Ângelo participou da comemoração pelo Dia Nacional de Luta Antimanicomial, que foi realizada na Estação Livre pela coordenação de Saúde Mental da Secretaria de Saúde da Prefeitura.
A data celebra a abertura do tratamento das doenças mentais que, antes, eram restritas aos manicômios. Atualmente, a liberdade de escolha por um tratamento é a luta de Ângelo e de mais 400 usuários do Caps II de Nova Friburgo.

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A ideia de se realizar o evento em um espaço público como a Estação Livre tem o propósito, segundo os organizadores, de atrair a atenção das pessoas, mas principalmente dos familiares dos portadores de doença mental, lembrando que eles têm o direito de escolher que tipo de tratamento querem receber. Além disso, a comemoração em espaços públicos contribui para diminuir o preconceito com o portador de doenças mentais.
E foi assim com Ângelo dos Santos.O paciente conta que recebia tratamento no Hospital Santa Lúcia e usava medicamentos para não ter crises. Hoje, Ângelo é usuário do Caps II e participa de todas as atividades do Centro de Atenção Psicossocial. O Caps II possui 400 pacientes inscritos e realiza, em média, 45 atendimentos por dia.
Sobre os progressos do tratamento de Ângelo, ele diz que a ideia de liberdade ajuda a mantê-los equilibrados: “Melhora muito, evolui-se, mas o tratamento é permanente”, declarou Antônio.

O tratamento da esquizofrenia visa o controle dos sintomas e a reintegração do paciente e requer duas abordagens: medicamentosa e psicossocial. A maioria dos pacientes precisa utilizar a medicação ininterruptamente para não ter novas crises, mas as abordagens psicossociais são necessárias para promover a reintegração do paciente à família e à sociedade.

Devido ao fato de alguns sintomas como apatia, desinteresse e isolamento social persistirem mesmo após as crises, é necessário um planejamento individualizado de reabilitação do paciente que, em geral, necessitam de psicoterapia, terapia ocupacional e outros procedimentos que visem ajudá-lo a lidar mais facilmente com as dificuldades do dia a dia.

FOTO - Joao Luccas Oliveira (1) (8)

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Segundo Roberta Garcia, coordenadora da Saúde Mental do município, com a política de desinstitucionalização da psiquiatria – Lei nº 10.261 de reforma da psiquiatria – provou-se que não é através da exclusão, mas sim da inclusão, com a liberdade do direito de escolha, possível hoje em dia, é que existe progresso no tratamento. “A sociedade começa a entender isso, e eventos como os de hoje são importantes para reafirmar tudo isso”, declarou.

Artesanatos, brincadeiras, apresentação de dança e realização de oficinas terapêuticas foram desenvolvidos no evento. Participaram médicos, psiquiatras, psicólogos, enfermeiros e técnicos de enfermagem da coordenação de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, equipes do Caps–AD e do Caps–Infantil (em fase de implantação), da equipe do Caps II, além de estagiários de fonoaudiologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), de psicologia da Universidade Estácio de Sá e do Comvida.

Movimento

O Movimento Antimanicomial tem o dia 18 de maio como data de comemoração no calendário nacional brasileiro. Esta data remete ao Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, ocorrido em 1987, na cidade de Bauru, no Estado de São Paulo, que reuniu mais de 350 trabalhadores na área de saúde mental.

Na sua origem, esse movimento está ligado à Reforma Sanitária Brasileira da qual resultou a criação do Sistema Único de Saúde (SUS); e está ligado também à experiência de desinstitucionalização da Psiquiatria desenvolvidas em Gorizia e em Trieste, na Itália, por Franco Basaglia nos anos 60.

Como processo decorrente deste movimento, temos a Reforma Psiquiátrica, definida pela Lei 10.216, de 2001 (Lei Paulo Delgado), como diretriz de reformulação do modelo de Atenção à Saúde Mental, transferindo o foco do tratamento que se concentrava na instituição hospitalar, para uma Rede de Atenção Psicossocial, estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos.