Noite do Desfile das Escolas de Samba levou milhares de pessoas ao Centro

Publicado em 23 fevereiro de 2012
 
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Mestre sala e porta bandeira da Imperatriz de Olaria dando um show na Avenida (Foto: Daniel Marcus)

Organização e segurança foram quesitos nota 10 da Prefeitura

A organização do Carnaval 2012 de Nova Friburgo foi uma das marcas esse ano. As interdições no trânsito foram bem planejadas, não criando engarrafamentos e possibilitando mais liberdade aos foliões no início de todas as tardes no centro da cidade. Até mesmo o deslocamento dos carros alegóricos das escolas de samba, no domingo, 19 de fevereiro, não trouxe grandes imprevistos. Na opinião de Cláudia Andreia, de São João de Meriti, o clima do carnaval foi de muita segurança: “estou adorando o carnaval de Nova Friburgo. É o primeiro ano que passo aqui. Sou do Rio de Janeiro e estou me mudando para cá. Achei muito cheio, animado e o clima de muita segurança”.

A escola de samba Imperatriz de Olaria, primeira a desfilar nodomingo, 19, foi fundada em 29 de março de 1976. Surgiu de uma fusão entre o antigo Império de Olaria e Unidos do Terreirão, duas escolas que existiam no bairro de Olaria. Com as cores vermelho e branco e com o símbolo de uma coroa, conquistou títulos em 1980, 1982, 1983, 1985, 1988, 1992 e sendo o último em 2007 com o enredo “A Imperatriz em busca das minas do Rei Salomão“, sob presidência de Wilton Melo. Em 2010, ficou em 3º lugar, com o enredo a “Imperatriz opus 32: Quando a ópera de palco se encontra com a ópera do asfalto”.

A vermelha e branca trouxe o enredo “O que faz sorrir também faz chorar”, que conta a história do samba e como ele foi importante na formação cultural do país, não só no aspecto histórico, mas no aspecto sentimental. “E tivemos certeza de levantarmos sentimentos na avenida, enquanto passávamos”, disse o co-autor do enredo, Márcio Andrade. A Imperatriz levou para a Avenida Alberto Braune 1950 componentes, que se dividiram nas 37 alas. A escola de Olaria também levou cinco carros alegóricos e um tripé.

Nos intervalos de uma escola e outra, os foliões podiam se divertir na Praça Dermeval Barbosa Moreira, no baile popular. Michele Costa, de Rocha Miranda, gostou muito do carnaval friburguense, principalmente por não ter confusões ou brigas. “Esperava menos pessoas. Cheguei hoje do Rio. Bastante tempo que não venho. Estou adorando. A rua está muito cheia”, disse. Na opinião de Raniele, do Prado, o “carnaval está sendo bem divertido dentro da cidade, sem risco de morte, sem risco de brigas, com muito respeito. Esperava menos pessoas, mas está bem legal. Estou vindo todas as noites para a rua”.

A Unidos da Saudade, fundada em 7 de setembro de 1948, com as cores roxa e branca, tem sua origem no bairro Ypu. Já consquistou 17 títulos do carnaval friburguense (1957, 1966, 1970, 1971,1974, 1975, 1977, 1979, 1981, 1984, 1986, 1993, 2000, 2003, 2004, 2007, 2010).

A Unidos da Saudade foi a segunda escola a desfilar. O enredo foi sobre o “Encantamento Índígena”, suas diversas sociedades e suas lendas. Lendas místicas sobre mitos das águas, matas e fenômenos naturais. “Falar do índio é falar do Brasil, da busca da nossa nativa essência”, afirmou o carnavalesco Amilton Almeida.

Dividida em três setores, a roxo e branca falou dos “Amores”, sobre os “Tesouros da Terra e as Riquezas Naturais” e a “Cobiça Invasora”. A comissão de frente interpretou “Os mistérios da tribo Kaxinawa”. A Unidos da Saudade desfilou com 17 alas e cinco carros alegóricos.

A terceira escola a desfilar na avenida do samba de Nova Friburgo, a Avenida Alberto Braune, foi a Vilage no Samba, fundada em 23 de setembro de 1948. A águia é o seu símbolo. Os fundadores da Vilage criaram a mística de que os sambistas devem desfilar com garbo, altivez, coragem, nobreza e a precisão de uma águia. Em seu primeiro desfile, em 1949, sagrou-se campeã. Desde então, sua importância foi reconhecida na história docarnaval Friburguense e tornou-se a maior campeã da cidade com 22 títulos. Em 2010, com o enredo “A saga de José, Rei dos sonhos, Príncipe da fé”, a verde e branco de Duas Pedras amargou um vice-campeonato.

A verde e branca trouxe toda a pureza e a inocência do imaginário infantil, que ganharam vida com brilho e colorido no enredo “Filhos do faz de conta”. O passeio pelo imaginário da garotada ganhou representações numa sequência de alas da agremiação. Personagens como os soldados do bem, os guerreiros medievais, as “mãos da ilusão” e os servos foram destaque no enredo organizado pela comissão de carnaval da escola.

A Acadêmicos do Prado foi criada por dissidentes do Bloco Unidos do Prado, que se juntaram as escolas de samba Braunes Tradição e Acadêmicos das Braunes. Em 2010, ficou em 5º lugar, com o enredo “Ser diferente é normal”. Sua fundação foi em 9 de maio de 1991. Suas cores são o verde e rosa. O símbolo o Dragão. Representa o bairro Prado.

Penúltima escola a entrar na avenida, a Acadêmicos do Prado inovou no enredo “Deus de todos os tempos, crinas da majestade” e mostrou a importância do cavalo na trajetória da humanidade, desde a Grécia Antiga até as civilizações mais recentes. Outras novidades da verde e rosa foram os carros alegóricos com iluminação e efeitos de fumaça. Antes mesmo de adentrar a Avenida Alberto Braune, o presidente Hugo Reis garantia que aquele seria o desfile mais bonito da história do Prado, que teve custo estimado em cerca de R$ 100 mil. Este ano, o carnavalesco Evandro Binelly distribuiu os cerca de 800 componentes em 16 alas e quatro carros alegóricos.

A Escola Alunos do Samba, de Conselheiro Paulino, foi fundada em 2 de fevereiro de 1946, sendo a mais antiga da cidade. Sua quadra é uma das maiores de Nova Friburgo, localizada perto do centro do distrito. Muito popular na cidade, a Alunão, como é chamada, tem muitos adeptos dos bairros Floresta, Alto do Floresta, Conselheiro Paulino, Santo André, Jardim Ouro Preto, Jardinlândia, Jardim Califórnia, Tio Dongo, Canto do Riacho entre outros. Possui 12 títulos: 1947, 1948, 1950, 1954, 1955, 1963, 1964, 1965, 1987, 1990, 1995 e 1996. Em 2010, ficou em 4ºlugar, com o enredo “O meu azul é mais bonito”, de Alfredo Fraga. Suas cores são azul e branco. Seu Símbolo, oZé Carioca.

E Alunos do Samba foi a última escola a desfilar, fechando o desfile das escolas às 5h da manhã de segunda-feira, 20 de fevereiro. Com o enredo do Sagrado ao Profano, a azul e branco tratou sobre a eterna busca do ser humano, na figura do papagaio Zé Carioca, que faz uma viagem sagrada pelo mundo, pelas pirâmides, onde recebeu a benção de Rá; pela Babilônia, rumo às terras Gregas e Romanas, onde procurou o Olímpo.

A Índia foi outro destino, até o deus Brahma, passando pela África, terra do feitiço e da magia, onde teve contato com os orixás. A escola desfilou com 14 alas, quatro carros alegóricos, 120 ritmistas na bateria.